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TEXTO DO PROF ANTONIO HOUAIS

Na pintura de Vidal o que me encanta é a sua fidelidade ao seu universo vivido: o flagrante realista dos seus companheiros e companheiras, nos bons (e raros e sofridos) instantes de folga. O trabalho, a carência e a solidariedade ali estão, na esperança de serem esperança, alegria e abundância: dia virá.
Folga e labuta, eis temas que voltam, em ambientes internos e externos, de quase geométrica perspectiva aérea, de tão despojada descrição, em que não há irrelevâncias nem inoportunidades: cada pormenor é um “pormaior” para a configuração de um mundo imediato, tão presente no cotidiano, que foge, e na memória, que esquece.
Há o colorista, ademais do figurativista. E há um sonho concreto, feito de ímpetos de aqui e agora, igualitária e confraternalmente. E, realmente, porque prorrogar indefinidamente a humanidade da humanidade – perguntam as telas de Vidal (embora ele mesmo evite perguntar, como o coração do Poeta, que não pergunta nada).
Acompanho Vidal há muitos anos e o vejo crescer na sua visão autêntica, que fixa e propõe criaturas humanas e relações humanas mais humanas. Eis um poeta do ver.

Antonio Houaiss



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